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    Para ti, amor

    É tão bom sentir que estás sentado ao meu lado, enquanto a chuva bate nas telhas desta casa, e que continuarás aqui até o sol raiar. Quero ter a certeza que o tempo passará por nós e que continuaremos unidos, tal como estamos hoje. Aconteça o que acontecer serás sempre o único, aquele que me mudou e me tornou na mulher que sou. Serás sempre aquele que me olha e entende, naqueles dias em que o mundo me esquece. Hoje e sempre, és e serás a outra metade de mim... aquele que torna o meu coração completo e o faz bater ao som do compasso uníssono que nos une.
     
    Por tudo o que me fizeste sentir até hoje e desejar continuar a viver ao teu lado para sempre, só te posso dizer muito obrigado por teres cruzado a estrada da minha vida.
     
    Amo-te, para sempre!
     
    p.s. Há dias em que me fecho e não te digo o que sinto, mas quero que saibas que em todos esses dias te amo mais intensamente.
     
    Copyright © Tytta

    Desculpas...

    Olá a todos os que me seguem e aos que já se queixaram via e-mail pela minha ausência.
     
    Facto é que abraçei um novo trabalho como gestora de produto e marketing... e tenho andado tão ocupada com isso e os treinos que mal me sobra tempo para respirar.
     
    Brevemente colocarei aqui uns poemas novos.... e mais umas news!
    Obrigada a todos.
     
    Jinhos, Tytta
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    Nuxa - a minha melhor amiga

    Não costumo fazer "publicidade" com fotos pessoais, mas hoje não resisti.
    Resolvi colocar aqui umas fotos da minha melhor amiga Nuxa.
     
     
    Como podem ver, é mais pequena do que um peluche:
     
     
    Um simples pirilampo é quase da altura das suas patas:
     
     
    A sua cama de Verão é moderna:
     
     
    Tal como todos nós, nesta altura do ano, tem calor:
     
     
    Gosta de estar na moda:
     
     
    Tem um perfil unico:
     
    Resumindo, é o melhor ser vivo que faz parte da minha vida!
    Fofinha, Amiga e Companheira pra todas as horas boas ou más.
    Mesmo quando está a dormir a sua presença faz-se sentir.
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    A vida dá muitas voltas

    Como se diz por aí, “a vida dá muitas voltas”. A minha, ultimamente, tem dado mais voltas que uma roda da feira popular, mas foram voltas tão grandes que a mudaram, significativamente, para melhor. Tenho conhecido lugares incríveis que só em sonhos pude, um dia, idealizar tal coisa. As pessoas que têm passado por mim, ao longo destes meses, foram “grandes lições de vida” que me fizeram crescer. Algumas dessas pessoas tornaram-se grandes candidatos a amigos e, para os que não sabem, os amigos são raros na minha vida... são mais os conhecidos!
     
    A “solidão” entre as paredes de uma casa compartilhada apenas entre eu e eu, fez-me ver que posso suportar mais do que aquilo que imaginei e que não é assim tão mau morar sozinha... a liberdade tem um sabor especial. Por quanto tempo mais irei cá ficar? Não sei, sei apenas que gosto da vida que levo e que vou aproveitar ao máximo esta experiência única.
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    Sem palavras... Lindo!

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    Boas festas a todos

    A todos os que passam neste space,
    ficam os meus votos de boas festas!
     

    Nunca estive tão longe

    Naquele dia de primavera, o sol caía suavemente pelas cortinas brancas da casa. *-* tinha acordado com mais dores do que nunca e, de algum modo, soube que aquele era o dia de se despedir e partir rumo à eternidade. Chamou um táxi e pediu que a levassem até à praia. Consigo carregava apenas um pedaço de papel dobrado, nas mãos tremulas que o apertavam com a força que lhe restava.
     
    Deambulando calmamente pela areia, chegou à beira do mar e deixou cair o seu corpo até ficar sentada na areia molhada a sentir as ondas a tocarem-lhe os pés. Olhou o horizonte, onde o mar se unia ao céu numa só cor, e sentiu o seu coração a ficar ainda mais pequeno, apertado pelas saudades de uma amizade. Como que por magia, a sua melhor amiga sentou-se ao seu lado e disse: “Eu sabia que te encontraria aqui”. *-* olhou-a nos olhos e sorriu-lhe ternamente, enquanto lhe segurou a mão e a apertou contra a sua. A brisa soprou morna e *-* pendeu o seu tronco para trás e deixou a sua cabeça moldar-se na areia de modo a ver as nuvens brancas que desenhavam o céu.
     
    Ficaram ambas em silêncio como que a ouvir a conversa que haviam adiado durante o tempo em que não se falaram. Até que os dedos de *-* se abriram lentamente e a sua mão se soltou da mão da sua amiga e o pequeno pedaço de papel caiu sobre a areia. Nele estava escrito “A distancia nunca me impediu de estar perto de ti!!!”. Olhando para o lado, a amiga percebeu que *-* já tinha partido para sempre e que era tarde para lhe dizer o que aquele pedaço de papel significou, para si, naquele momento.
     
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    A amizade é subjectiva

    Depois de ter perdido a minha melhor amiga fiquei com medo das amizades, não estava disposta a morrer um pouco mais com outra ausência repentina na minha vida. Sempre me queixei que foi com a amizade que aprendi a chorar, mais ainda do que com o amor. Há sempre aquela sensação de companheirismo e cumplicidade que a amizade tem e não consegue explicar, e no amor essa explicação tem muitas linhas que podem ser escritas.
     
    Lamentei-me muito por ter sido com as amizades que aprendi o verdadeiro significado de traição, porque simplesmente fiquei perdida e parada no tempo sem saber a razão de estar a tentar perceber onde estão os amigos. Depois de ter estado tanto tempo ao lado dos amigos, em momentos de silêncio, um dia hei-de saber quem eles são... por agora sei apenas quem eu sou.
     
    Certamente quem me ouve diz que sou “exagerada”, mas quem conhece o significado da verdadeira amizade, possivelmente, tem tanto ou mais medo da amizade do que eu. Acho que são os sentimentos que temos pelas pessoas erradas que nos tornam ainda mais humanos, embora esse mutismo absurdo nos atordoe os sentimentos e adormeça a alma! Por isso, com o tempo, aprendi a dizer que a amizade é subjectiva, mas ou se tem ou não se tem... e eu prefiro privar-me dessa coisa estranha. Sim prefiro privar-me dela, após várias tentativas falhadas para lutar por uma amizade que se esvai na sombra das horas. Simplesmente já não procuro uma amizade onde quer que ela esteja, tenha ela a cor e forma que tiver.
     
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    Quando as rosas murcharem

    Tenho saudades tuas, sinto-te distante da minha essência quando te procuro e não me encontro nos caminhos que trilho por ai. Tenho saudades de ti quando te ausentas das minhas frases, agora tão vazias de rimas e de sentimentos. Dizem que as saudades passam, na medida em que o tempo voa desmedidamente. Será que passam assim com essa pressa toda, sem deixarem qualquer marca na nossa alma? Não estou certa até que ponto a minha alma ficará ilesa de qualquer cicatriz aberta, que sangre desmedidamente, sem hipótese para sarar.
     
    Abre a pequena porta que trancaste para te isolares entre quatro paredes de solidão, como se essa fosse a solução mais fácil para me manteres distante da tua vida. Sabes bem que não é esse o caminho correcto a seguir. Isso foi somente uma opção tua, uma escolha fútil que fizeste para me magoares do único modo que podes fazer neste momento. Abre essa fresta oca de sentimentos e recebe as rosas que quero dar-te em sinal da minha amizade. Deixa que o seu perfume se entranhe e inebrie os poros do sentimento que teimas em fazer perder-se no tempo. Eu já não tenho esse tempo todo, simplesmente não tenho tempo para gastar no tempo que se dissolve.
     
    Sabes bem o quão importante és para mim. Não preciso de voltar a repetir a importância que tens na minha vida... já o fiz vezes sem conta e ainda assim, não o sabes como já deverias de saber. Por isso, estou decidida a mudar um pouco mais. Estou decidida a rasgar a minha pele e a mudar as minhas cores, só para que saibas que mudei ainda mais do que aquilo que me mudaste. Terei tudo para te dar menos eu... menos aquela que sou agora com o sentimento que destruíste, por me tomares como certa na tua vida.
     
    Um dia, quando as rosas murcharem procura-me, certamente ainda terei os espinhos para te dar. Sou uma rosa que perdeu as suas folhas de veludo porque fiquei sem nada quando te dei tudo.
     
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    Estou cansada

    Sabes, quando acordei, abri a janela para deixar entrar o sol na minha vida mas, lá fora, estava nevoeiro. As árvores do jardim deixaram-se despir, numa calma timidez, pelo vento... folha a folha as suas recordações foram levadas para não mais voltarem. As árvores ficaram lá paradas no tempo. Eu fiquei imóvel, a bafejar o vidro da janela, numa esperança de te ver chegar ao fundo da rua, de te ter dentro do meu pensamento. Não tenho nada a dizer-te, nada mais para além do meu silêncio.
     
    Cansei-me de tentar estar sempre presente na tua vida, ainda que teimes em expulsar-me dela. Cansei-me de todas as tentativas que fiz para te compreender e ainda assim, após tanto tempo, não compreendo a razão de te isolares de mim, deixando-me à margem dos teus dias... Como se isso tornasse a tua vida mais fácil de viver. Simplesmente cansei-me!
     
    Certamente, hoje, não preciso de saber quem sou neste momento. Preciso mais de ter a certeza de saber quem serei depois da minha partida. Não que eu tencione ir para longe de onde estou agora. Apenas vou ausentar-me de ti sem dar qualquer explicação para tal. Estou cansada demais para tentar, mais uma vez, lutar por uma amizade. E como eu preciso da tua amizade... mas assim não suporto mais, isso está a fazer-me mal.
     
    Quem sabe, um dia, num futuro próximo, tu te encontres contigo mesmo e aches as respostas que eu não tive para te compreender. Quando isso acontecer procura-me sem qualquer receio de mim. Procura-me quando precisares, estou exactamente no mesmo sitio onde me deixaste!
     
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    Viagem

     Acordei meio envolta no silêncio que se fazia sentir no quarto abafado. Vi os raios de luz que entravam pelas frestas da persiana mal fechada e deixei-me ficar a olhar para ti, para a tua imagem presa na minha memória. Lembrei-me da tua simplicidade a sorrir, aquele jeito desprendido com que te entregas à timidez de mostrar a felicidade que sentes. Por momentos, desejei-te ali ao meu lado. Depois desejei não te ter, renegando o que sinto. Sei que a tua partida vai doer tanto ou mais do que dói agora a tua presença.

    Preciso que me ajudes, sinto que não estou preparada para te amar até ao final dos nossos dias. Sei que já não conheço os sinais que o coração me vai dando, não do modo como conhecia. Daquele modo que me fazia querer ir contigo para qualquer parte do mundo. Agora não me importa mais a tua viagem. E eu sei que já compraste o bilhete de partida, só ainda não tiveste a coragem de me dizer a data.
     
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    À porta dos sentimentos

     
    Encontrei o teu perfume encostado à ombreira da porta e tomei-o nos sentidos, desesperadamente, como se a minha vida dependesse dele e de tudo aquilo que me avassalava naquele momento.
     
    Gritei por ti, numa tentativa de te trazer de volta. Apercebi-me que há muito tempo já tinhas partido. Partido para bem longe do que há dentro de mim. Simplesmente pegaste nas tuas coisas e foste embora. Eu deixei-te ir, sem fazer grande esforço para te segurar no lado de dentro da porta que deixei entreaberta aos sentimentos.
     
    Não há palavras para as palavras que já foram ditas em silêncio. Não há nada, porque nada houve para partilhar em cumplicidades. Nada há para dividir contigo para além dos suspiros de ausência que foram arrancados à tua presença.
     
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    O teu livro

     

    Abri o livro ao meio, aquele que me deste, numa desfolhada de sentidos, enquanto te procurava por entre as páginas soltas... presas por um fio numa lombada isolada. Deitei-me sob os pensamentos confusos, nessa nova leitura, que julguei esvaídos em fumo quando partiste sem me avisar, sem me dar sinal que ias embora para não mais voltar.

     

    Bebi os segredos escondidos em cada frase, numa secura das tuas palavras que me amordaçam o âmago em controvérsias que não consigo entender. Onde estás? Sei que estás algures aí... entre o que preciso e a tua essência genuína que apenas consigo sentir ao meu redor. Sinto-te em dias vagabundos onde a dor da tua ausência me rasga ainda mais as saudades que gritam em silêncio, numa queda demência por saber que nunca mais te irei ver.

     

    Choro... choro porque sinto a tua falta, porque me faltam todos os momentos que arrancavas ao tempo para compareceres quando a tua presença era necessária. Choro em soluços miudinhos, num silêncio que só tu entendias, porque sei que levaste um pedaço de alegria que não volta, que me levaste a mim para eu nunca mais me encontrar.

     

    Aos poucos, deixei as folhas se enrugarem numa estúpida tentativa de fechar esse livro... mas sabes uma coisa? Não o vou fazer. Nunca o irei fazer. E olha que nunca é um tempo para lá daquele que tenho. Prefiro ficar acordada, debruçada sobre essa nudez que deixaste na minha vida... só assim sei que as saudades que sinto de ti são o único modo para fortalecer a razão pela qual nunca te deixarei cair em esquecimento.

     

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    Entre um pensamento e outro

    Mais um dia que passa... onde me deixo perder em pensamentos e abraço as lembranças dos dias, dos anos e do tempo que se alonga da certeza que nada mais voltará a existir nesta vida. É nesta nostalgia de pensamentos, que se derramam em saudades, que recordo quem fui, que consigo olhar para trás e me orgulho de todos os passos que dei, de todos os caminhos que percorri para chegar aqui e ser quem sou.
     
    Muitas vezes tenho consciência que poderia ter dado mais de mim, que poderia ter feito muito mais em certas alturas, mas simplesmente sentei-me e permiti-me a viver a vida sem pressa. E foi sem essa pressa que alcancei o desejo que o meu corpo ambicionou, que a minha alma sonhou. Foi sem essa mesma pressa que nunca parti deste lugar onde fiquei a sentir o afago das palavras que me disseram e que ainda hoje me ajudam a perceber que a vida é um como um simples pedaço de papel repleto de poesias... se o deixarmos molhar na chuva as letras consomem-se, esvaem-se e nunca perceberemos o seu significado, mas se o decorarmos poderemos sentir para sempre o significado dos sentimentos que lá estão escritos!

     

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    Arranca-me as palavras.... Mata-me as rimas.... Cala-me o sonho...

    Arranca-me as palavras que se começam a silenciar dentro do coração que se aperta, só porque te sabe tão longe de um sentimento que partilhámos, que somente eu partilhei.
     
    É tão fácil ires embora sem olhar para trás, mas dói tanto ficar aqui a ver-te partir. A ver ir embora aqueles sorrisos de esperança que, tanta vez, cresceram dentro de mim só porque estavas ao meu lado.
     
    Mata-me as rimas que navegam dentro da minha alma como uma caravela sem rumo... com o vento a bater nas suas velas e a levá-la para longe de um porto a que se possa ancorar.
     
    Não me digas que é mentira, que nada disto está a acontecer e que é ilusão minha. Não me digas que amanhã estarás de volta para secar as lágrimas que me dás. Sabes bem que há-de haver um dia em que te darás conta desta verdade que me corrói os sentidos, mas aí não posso fazer nada, nada poderás fazer para compreender o tempo que passa a correr.
     
    Cala-me o sonho que continua a sonhar no embalo das horas que se desfazem. Aquele sonho que sempre alimentei e dei vida porque sonhava que o podia manter numa qualquer gota de chuva que cai em noites de Verão.
     
    Procura-me na sombra dos teus passos mortos quando um dia me quiseres encontrar, quando sobretudo, te quiseres encontrar no silêncio que cunhaste dentro de mim com um ferro em chamas que desfez em poeira o nosso amor, o meu amor!
     
     
     
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    Parte-me o coração ao meio

    Ontem foi mais um dia em que me prometeste que tudo iria ficar bem, bastava fechar os olhos e respirar fundo. E o pior é que eu acreditei nas tuas palavras. Parece até que as consigo ouvir a entrar dentro de mim, sem pedir licença para tal.
     
    Hoje todas aquelas frases que me murmuraste parecem zumbidos que me deixam tonta. O baque constante, dentro de mim, parte-me o coração ao meio, em pedacinhos que já nem o amor poderá algum dia unir.
     
    Ontem foi aquele dia de sol que dividiste comigo sem eu pedir, simplesmente estavas lá ao meu lado com um abraço apertado que colava o teu peito ao meu.
     
    Hoje o tempo fechou-se em nuvens que se apertam numa agonia e o céu mostra-se a chorar sem qualquer timidez.
     
    Porque ontem tudo foi muito diferente de hoje, não quero que partas sem que te dê tudo aquilo que me deste sem eu querer... aquela sensação de culpa que restou depois de tudo ter acabado. Mas será que algum dia começou? Sim, não quero que partas sem a culpa que me aflige o âmago e que agora me parte o coração com ardis que me prendem a uma ignorância que desconhecia ter porque te amei demais, porque ainda te amo. Leva contigo o ódio que tenho contido durante todos estes anos, aquela angústia com a qual me fui amargurando e deixando morrer só para estar a teu lado. Por isso, parte-me o coração ao meio e leva contigo a metade que nunca tiveste, aquela parte oca que nunca te mostrei porque, em mais do que um exíguo ápice, mais do que a mim própria, eu te amei.
     
     
     
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    Preciso de ar, estou a sufocar!

    Agora a olhar o céu escuro à procura de uma estrela que seja, dei conta que já se passaram algumas horas depois de saber a noticia e que a estrada que percorri, para chegar até esta pequena Capela que está ao meu lado, pareceu-me infindável. Acho que chegou o momento, vou entrar por aquela porta antiga, com o verniz pálido das agressividades dos anos, para te ver.
    Aproximo-me da entrada e vejo o teu caixão que me parece estar tão desprotegido. Deixo os passos pesados me arrastarem para onde o silencio a choro é perturbador.
    - Raquel? Raquel? Não ouves? Estou a chamar-te neste tom murmurado enquanto passo os lábios pela tua testa, numa estúpida tentativa de te trazer de volta à vida, de retorno a este lugar que agora me parece ainda mais sem sentido e que todos teimam em chamar de mundo.
    Já vi que não me ouves, que não te importas com o meu sofrimento e que agora és só tu nesse teu mundo novo de fantasias ou pesadelos. Preciso de me sentar tenho as pernas a tremer, acho que estão quebradas pois não tenho força para as suster debaixo do meu corpo.
    - Ai Deus, o que faço eu aqui sentada nesta sala tão fria? Sinto-me a desfalecer aqui nesta cadeira corroída pelo tempo. Dói-me a cabeça. Os pensamentos estão tão soltos que nem sei o que penso neste instante. Num gesto de desanimo dobro o tronco para a frente, apoio os cotovelos nas pernas e deixo cair a cabeça até a sentir pendurada sobre o pescoço.
    Numa nova tentativa para te ver ergo os olhos e apenas consigo observar os rostos desalentados da tua família, dos teus amigos, dos nossos amigos e sobretudo, dos teus pais. Apenas me ocorre a ideia de lhes ir falar, mas perco a coragem ao ver a tua mãe a lutar para contornar a dor que sente. Sim, aquela dor que tanta vez tu me disseste que era impossível alguém sentir... a tua mãe está a senti-la neste momento e eu também estou. É uma dor perfurante que entra dentro dos meus sentidos e me faz ficar sem eles, é uma dor alucinante que me faz sentir o coração a pulsar mais e mais como se fosse explodir e sufocar ainda mais o peito que me aperta os pulmões e os esmaga até ficarem sem ar.
    Como me pudeste fazer uma coisa destas? Como pudeste morrer? Eu sei que a vida é injusta, tudo é injusto quando a justiça divina, ou o que quer que lhe chamam, teima em aparecer junto de nós para nos fazer ver que o que aconteceu não foi por um acaso. Qual foi o acaso que te levou para sempre desta vida?
    Sabes apesar de estares no outro lado da vida não creio que estejamos separadas, afinal a morte não separa ninguém.
    Preciso de ar, estou a sufocar!
     
     
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    Escuta-se o som, marcado pelo compasso do silêncio

    Ainda consigo ouvir o som das ondas que batiam contra o barco que se arrastava à beira mar. Ainda posso ver, na areia seca, os passos que marcaram a nossa presença, afligida pela ausência que se fazia acompanhar.
    Aquele dia está-me gravado na memória... está-me presente na pele.
    Escuta-se o som, marcado pelo compasso do silêncio!
    Sabes bem que eu e tu éramos diferentes, nunca fomos iguais, mas poderíamos ser parecidos... bastava um esforço maior do que aquele que nunca fizeste, que nunca me deixaste fazer por nós!
    Escuta-se o som, marcado pelo compasso do silêncio!
    Sempre te falei mais do que aquilo que queria, sempre te disse tudo em gestos que foram mais além do que a própria sabedoria. Para quê? Se nunca te sentaste nas minhas palavras, se nunca as entendestes do modo como sempre te as disse... do modo simples, como sempre te as falei.
    Escuta-se o som, marcado pelo compasso do silêncio!
    Naquele dia tudo poderia ter sido diferente, poderíamos, pelo menos, ter salvo o amor da amizade... mas não. Ambos arrancámos os sentimentos esgotados pelo esforço banal de algo que nunca começou como se deve começar.
    Tu ficaste calado e depois gritaste palavras que eu nunca tinha ouvido, que simplesmente nunca me disseste. Naturalmente, gritaste bem alto o quanto me amavas.
    Escuta-se o som, marcado pelo compasso do silêncio!
    Foi tão estranho ouvir-te a gritar as entranhas que nunca me deixaste sentir. Foi pena, gritares tarde demais! Os meus ouvidos já não te ouviam. O meu coração já não te falava, quanto mais gritar a teu lado aquilo que tu há muito já tinhas morto dentro dele.
    Está certo que as minhas palavras nunca mais estarão aqui à tua espera... emudeceram ao lado do tempo perdido nas horas vãs em que te esperei.
    Escuta-se o som, marcado pelo compasso do silêncio!
    E agora? Que fazemos agora que a amizade terminou e tudo parece não ter mais volta?
    Não sei se adianta pedir desculpas por tudo aquilo que já não sinto. Se adianta pedir perdão por tudo aquilo que senti demais e agora já não sinto. Matei o amor que nasceu em ti com o amor que mataste em mim!
    Escuta-se o som, marcado pelo compasso do silêncio!
     
     
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