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Procuro no teu beijoProcuro no teu beijo
o calor da inocência,
o conforto de um abraço,
a rima esquecida das poesias,
o sabor da saliva perdida!
Procuro no teu beijo
uma filosofia, uma essência,
o significado do que faço,
as palavras contidas,
o apogeu da vida sentida!
Procuro no teu beijo
dar-te mais do que tenho,
amar-te para além da morte!
Copyright © Tytta Minh' Alma em PedaçosPara os mais curiosos,
deixo aqui a capa do meu livro que será lançado em Dezembro. 5 Sentidos de amorSe as minhas mãos, um dia, não te poderem tocar,
sabe apenas que a minha alma sempre te sentirá!
Se, um dia, não poder cheirar o aroma da tua pele,
lembra-te que guardo o teu perfume em cada poro do meu corpo!
Se, por algum motivo, os meus olhos deixarem de ver,
quero que saibas que sempre te verei dentro do meu coração!
Quando deixar de ouvir as palavras que me sussurras ao ouvido
tem a certeza que envelhecerei ao lado dos teus simples gestos!
Quando a minha boca se remeter ao silêncio e se selar para sempre,
então meu amor, levarei comigo os beijos mais profundos de amor!
Copyright © Tytta Tua ausência Leva-me no vento
e rouba-me as palavras,
mas escreve as minhas folhas brancas.
Guardei-as para ti, preciso delas para continuar.
A mudez grita e reclama
numa agonia de não te ver, não te ouvir.
Preciso de ti e não te encontro.
Quanto mais o meu pensamento te chama
mais eu morro dentro deste sentir.
Tudo sangra. Tudo chora. Tudo dói.
E como sangra o meu coração.
Como chora a minha alma.
E como dói este momento
de viver dentro da tua ausência.
O teu silêncio se aparte infinitamente
em lágrimas que se escorrem dentro de mim!
Copyright © Tytta Sonhos destroçadosQuantos não foram os dias em que te pintei com lágrimas secas de teus sentimentos só porque, por longos instantes, acreditei que te coloria com aguarelas de relentos.
Foram mil e uma noites numa gota de suor que deslizaram pelas nossas mãos, tão unas. Quantas vezes ceguei com as areias do amor dissimuladas no sabor e vontade de tuas dunas.
Hoje que me sento sozinha e que olho para trás, sei que tenho comigo os sonhos destroçados num tempo que, do lado de dentro de mim, jaz!
E tudo porque derivei num mar que desconhecia em cascos corroídos, por algas desgastados... Tudo porque dei de mim mais do que podia!
Copyright © Tytta Arranca-me as palavras.... Mata-me as rimas.... Cala-me o sonho...Arranca-me as palavras que se começam a silenciar dentro do coração que se aperta, só porque te sabe tão longe de um sentimento que partilhámos, que somente eu partilhei.
É tão fácil ires embora sem olhar para trás, mas dói tanto ficar aqui a ver-te partir. A ver ir embora aqueles sorrisos de esperança que, tanta vez, cresceram dentro de mim só porque estavas ao meu lado.
Mata-me as rimas que navegam dentro da minha alma como uma caravela sem rumo... com o vento a bater nas suas velas e a levá-la para longe de um porto a que se possa ancorar.
Não me digas que é mentira, que nada disto está a acontecer e que é ilusão minha. Não me digas que amanhã estarás de volta para secar as lágrimas que me dás. Sabes bem que há-de haver um dia em que te darás conta desta verdade que me corrói os sentidos, mas aí não posso fazer nada, nada poderás fazer para compreender o tempo que passa a correr.
Cala-me o sonho que continua a sonhar no embalo das horas que se desfazem. Aquele sonho que sempre alimentei e dei vida porque sonhava que o podia manter numa qualquer gota de chuva que cai em noites de Verão.
Procura-me na sombra dos teus passos mortos quando um dia me quiseres encontrar, quando sobretudo, te quiseres encontrar no silêncio que cunhaste dentro de mim com um ferro em chamas que desfez em poeira o nosso amor, o meu amor!
Copyright © Tytta Queres amar-me, hoje?Porquê os anjos não apareceram para mim
quando precisei de ver o teu sorriso?
Porquê os anjos não caíram do céu
quando quis parar as minhas lágrimas?
Tive tanto medo!!!
Brincaste com meus sentimentos como num jogo
e jogaste com o meu amor à tua maneira.
Sabes, foi pena....
Queres amar-me, hoje?
Serás sempre o mesmo.
Jogaste um jogo vicioso comigo
e não te preocupaste com a minha dor.
Queres amar-me, hoje?
Porquê os anjos não falaram comigo
quando quis ouvir a tua voz?
Porquê os anjos não me tocaram no coração
quando brincaste com o seu sentimento.
Tive tanto medo...
Hoje já não tenho.
Hoje não te quero mais.
Copyright © Tytta Cá dentro as portas fecham-seLá fora as portas abriam-se...
A luz está mais brilhante, mais forte.
Já não sinto o peso do meu corpo.
Paira no ar um cheiro a morte
que mata o meu sorriso morto.
Gelam-se-me as mãos frias
pelo sangue que se escorre
nas demais curvas vadias
deste meu corpo que morre.
Ouço as portas a baterem,
com força a se encerrarem.
Estilhaços dos que não querem
ver meus olhos a se fecharem.
Segreda-me junto ao ouvido
se é tua vontade veres-me ficar.
Se não, deixa ficar esquecido
o cadáver que morre até se findar.
Cá dentro as portas fecham-se!
Copyright © Tytta Parte-me o coração ao meioOntem foi mais um dia em que me prometeste que tudo iria ficar bem, bastava fechar os olhos e respirar fundo. E o pior é que eu acreditei nas tuas palavras. Parece até que as consigo ouvir a entrar dentro de mim, sem pedir licença para tal.
Hoje todas aquelas frases que me murmuraste parecem zumbidos que me deixam tonta. O baque constante, dentro de mim, parte-me o coração ao meio, em pedacinhos que já nem o amor poderá algum dia unir.
Ontem foi aquele dia de sol que dividiste comigo sem eu pedir, simplesmente estavas lá ao meu lado com um abraço apertado que colava o teu peito ao meu.
Hoje o tempo fechou-se em nuvens que se apertam numa agonia e o céu mostra-se a chorar sem qualquer timidez.
Porque ontem tudo foi muito diferente de hoje, não quero que partas sem que te dê tudo aquilo que me deste sem eu querer... aquela sensação de culpa que restou depois de tudo ter acabado. Mas será que algum dia começou? Sim, não quero que partas sem a culpa que me aflige o âmago e que agora me parte o coração com ardis que me prendem a uma ignorância que desconhecia ter porque te amei demais, porque ainda te amo. Leva contigo o ódio que tenho contido durante todos estes anos, aquela angústia com a qual me fui amargurando e deixando morrer só para estar a teu lado. Por isso, parte-me o coração ao meio e leva contigo a metade que nunca tiveste, aquela parte oca que nunca te mostrei porque, em mais do que um exíguo ápice, mais do que a mim própria, eu te amei.
Copyright © Tytta Preciso de ar, estou a sufocar!Agora a olhar o céu escuro à procura de uma estrela que seja, dei conta que já se passaram algumas horas depois de saber a noticia e que a estrada que percorri, para chegar até esta pequena Capela que está ao meu lado, pareceu-me infindável. Acho que chegou o momento, vou entrar por aquela porta antiga, com o verniz pálido das agressividades dos anos, para te ver.
Aproximo-me da entrada e vejo o teu caixão que me parece estar tão desprotegido. Deixo os passos pesados me arrastarem para onde o silencio a choro é perturbador.
- Raquel? Raquel? Não ouves? Estou a chamar-te neste tom murmurado enquanto passo os lábios pela tua testa, numa estúpida tentativa de te trazer de volta à vida, de retorno a este lugar que agora me parece ainda mais sem sentido e que todos teimam em chamar de mundo.
Já vi que não me ouves, que não te importas com o meu sofrimento e que agora és só tu nesse teu mundo novo de fantasias ou pesadelos. Preciso de me sentar tenho as pernas a tremer, acho que estão quebradas pois não tenho força para as suster debaixo do meu corpo.
- Ai Deus, o que faço eu aqui sentada nesta sala tão fria? Sinto-me a desfalecer aqui nesta cadeira corroída pelo tempo. Dói-me a cabeça. Os pensamentos estão tão soltos que nem sei o que penso neste instante. Num gesto de desanimo dobro o tronco para a frente, apoio os cotovelos nas pernas e deixo cair a cabeça até a sentir pendurada sobre o pescoço.
Numa nova tentativa para te ver ergo os olhos e apenas consigo observar os rostos desalentados da tua família, dos teus amigos, dos nossos amigos e sobretudo, dos teus pais. Apenas me ocorre a ideia de lhes ir falar, mas perco a coragem ao ver a tua mãe a lutar para contornar a dor que sente. Sim, aquela dor que tanta vez tu me disseste que era impossível alguém sentir... a tua mãe está a senti-la neste momento e eu também estou. É uma dor perfurante que entra dentro dos meus sentidos e me faz ficar sem eles, é uma dor alucinante que me faz sentir o coração a pulsar mais e mais como se fosse explodir e sufocar ainda mais o peito que me aperta os pulmões e os esmaga até ficarem sem ar.
Como me pudeste fazer uma coisa destas? Como pudeste morrer? Eu sei que a vida é injusta, tudo é injusto quando a justiça divina, ou o que quer que lhe chamam, teima em aparecer junto de nós para nos fazer ver que o que aconteceu não foi por um acaso. Qual foi o acaso que te levou para sempre desta vida?
Sabes apesar de estares no outro lado da vida não creio que estejamos separadas, afinal a morte não separa ninguém.
Preciso de ar, estou a sufocar!
Copyright © Tytta Tenho saudadesTenho saudades de tudo.
Tenho tantas saudades tuas.
Saudades de tudo o que dissemos.
Saudades de te ouvir.
Tenho saudades do silencio mudo.
Tenho saudades das almas nuas.
Saudades dos dias que vivemos.
Saudades de te sentir.
Tenho saudades das ternas horas.
Tenho saudades dos dias.
Saudades das madrugadas.
Saudades das noites passadas.
Tenho saudades das longas demoras.
Tenho saudades das quedas alegrias.
Saudades das cegueiras lavadas.
Saudades das memórias guardadas.
Copyright © Tytta Nunca disse aos amigosJá disse aos amigos que partiram
que nada mais será como foi.
Eles levaram os risos, levaram os choros.
Levaram o que deram e o que deixaram.
Eu nunca lhes disse que conseguiram
apagar, em instantes, tudo o que me dói.
E eles partiram, em adivinhações e agouros,
sem saber que esta minha vida marcaram.
Tenho pena porque nunca disse aos amigos
a presença necessária que eles me são
em dias tomados de total desconhecimento.
Talvez, eu mesma, tenha feito dos anos mendigos
que se deitaram no desgrenhado pó deste chão.
por achar que os amigos me deixaram ruir no esquecimento.
Copyright © Tytta Coração de papelOlha amor o teu coração de papel pardo
está a esvoaçar, por cima de nós, lá no alto.
Ele é feito do papel que embrulha o fardo
que diariamente me arrasta pelo asfalto!
Olha amor o teu coração de papel cavalinho
percorre selvagem no vento, sem olhar para trás.
Está pintado de controvérsia, escrito em desalinho
de um sentimento congelado que morre e jaz.
Olha amor o teu coração de papel de embrulho
está enrolado em fitas coloridas de assombro.
Foi corroído pelo tempo mordido por um gorgulho
e amarrotado até se tornar num monte de escombro.
Olha amor, sim, olha o teu coração de papel desfeito...
Está rasgado em infinitos pedaços de contradição,
queimado pelas cinzas frias que ateias ao teu jeito,
dissecado pelas lágrimas que caiem da minha desilusão!
Copyright © Tytta Tua viola chorosa Deita-me no teu colo...
Aperta-me contra o peito...
Abraça-me para me tocares...
Passa os teus dedos pelas cordas...
Faz-me vibrar em cada som...
Sabes o jeito com me afinas...
Conheces de cor o meu tom...
Toca-me dedilhadamente...
Faz-me chorar melodias...
Pulsa indiscretamente...
Musica de baile de fantasias...
Cinge-te a esta tua viola chorosa...
Ela ressoa a musica que não trauteias...
Compõe-me com tua pauta lacrimosa...
Afrouxa-me as cordas em que me enleias!
Copyright © Tytta Única saídaAs linhas que meu olhar te escreveu
com palavras minhas, tão tuas,
entornaram-se por este meu livro.
A tinta que da minha alma escorreu,
nas demais noites, de sentimento nuas,
é hoje a tua ausência da qual privo.
Não me importa mais o que disseres
de mim, dos meus sonhos, de Nós.
Sei que agora sou apenas, e só, eu
com a minha liberdade, a minha vida.
Embora penses aquilo que quiseres
apenas darei ouvidos à minha voz
que, durante tempos, se escondeu
e hoje regressa como a única saída.
Não vou ficar à espera que o futuro
entre neste livro por escrever e acabar.
Vou soltar a imaginação, pular o muro
e achar nos sonhos o destino por gravar.
Copyright © Tytta Matei-me dentro da morteSubi aos píncaros do infinito,
roubei diamantes de ilusão.
Depois cai,
cai...
Desfiz-me num só grito,
entre pós de desilusão.
Depois balancei,
balancei...
Suicidei a minha pouca sorte,
efémeros instantes em que vivi.
Depois expirei,
expirei...
Matei-me dentro da morte,
numa qualquer vida em que resisti.
Depois morri,
morri....
Copyright © Tytta Molhei as lágrimas na chuvaHoje sentei-me naquele banco, sob o laranjal,
corroído pelos anos secos e apressados.
Olhei em volta, era tudo serenamente natural,
ao fundo corriam ribeiros desajeitados.
Fechei os olhos, inspirei a doce chuva que caía
nas frestas da minha alma dilacerada...
Cada gota gelada, em mim, só arrefecia
a pele áspera, por lágrimas queimada!
E a chuva lavou-me os gestos com mestria,
reduziu-me o saber a um bago seco de uva.
Tudo o que apreendi, perdi-lhe a sabedoria.
Por ti, molhei as lágrimas na chuva!
Não adianta recordar a chuva caída nesta manhã.
Não adianta secar as lágrimas que nela se molharam.
Estiveste ausente ontem. Nunca estarás presente amanhã.
Foste a breve intenção lembrada nas gotas que tombaram!
Copyright © Tytta A culpa foi minhaA culpa foi minha,
por me ter entregue às mentiras das tuas palavras
em que acreditei sem dó nem piedade.
Roubei o dia à noite escura.
Fiz das sombras o meu passo continuo.
A culpa foi minha,
nos dias em que proferi frases arrebatadas pelo silencio...
um silencio tão meu, tão profundo e bonançoso.
Tornei-me gatuna das horas alegres,
dona das pesarosas lembranças que emudeço.
Sim, a culpa foi só minha,
porque permiti que me visses nua de preconceitos
como uma fonte de água clara e cristalina.
Porque consenti que me tomasses nos braços
e afogasses as tuas mágoas no meu peito.
Sim, a culpa foi só minha,
porque minha é a doida loucura que te ama
sem pudor de amar ou qualquer medo de sofrer.
Porque eu sou aquela que se dá aos teus actos
em troca de um nada, com uma fragilidade única.
A culpa foi minha,
porque um dia te amei demais...
porque, por um momento, me amei de menos.
Copyright © Tytta Escuta-se o som, marcado pelo compasso do silêncioAinda consigo ouvir o som das ondas que batiam contra o barco que se arrastava à beira mar. Ainda posso ver, na areia seca, os passos que marcaram a nossa presença, afligida pela ausência que se fazia acompanhar.
Aquele dia está-me gravado na memória... está-me presente na pele.
Escuta-se o som, marcado pelo compasso do silêncio!
Sabes bem que eu e tu éramos diferentes, nunca fomos iguais, mas poderíamos ser parecidos... bastava um esforço maior do que aquele que nunca fizeste, que nunca me deixaste fazer por nós!
Escuta-se o som, marcado pelo compasso do silêncio!
Sempre te falei mais do que aquilo que queria, sempre te disse tudo em gestos que foram mais além do que a própria sabedoria. Para quê? Se nunca te sentaste nas minhas palavras, se nunca as entendestes do modo como sempre te as disse... do modo simples, como sempre te as falei.
Escuta-se o som, marcado pelo compasso do silêncio!
Naquele dia tudo poderia ter sido diferente, poderíamos, pelo menos, ter salvo o amor da amizade... mas não. Ambos arrancámos os sentimentos esgotados pelo esforço banal de algo que nunca começou como se deve começar.
Tu ficaste calado e depois gritaste palavras que eu nunca tinha ouvido, que simplesmente nunca me disseste. Naturalmente, gritaste bem alto o quanto me amavas.
Escuta-se o som, marcado pelo compasso do silêncio!
Foi tão estranho ouvir-te a gritar as entranhas que nunca me deixaste sentir. Foi pena, gritares tarde demais! Os meus ouvidos já não te ouviam. O meu coração já não te falava, quanto mais gritar a teu lado aquilo que tu há muito já tinhas morto dentro dele.
Está certo que as minhas palavras nunca mais estarão aqui à tua espera... emudeceram ao lado do tempo perdido nas horas vãs em que te esperei.
Escuta-se o som, marcado pelo compasso do silêncio!
E agora? Que fazemos agora que a amizade terminou e tudo parece não ter mais volta?
Não sei se adianta pedir desculpas por tudo aquilo que já não sinto. Se adianta pedir perdão por tudo aquilo que senti demais e agora já não sinto. Matei o amor que nasceu em ti com o amor que mataste em mim!
Escuta-se o som, marcado pelo compasso do silêncio!
Copyright © Tytta Em NaturezaDeitei-me no vento que se desfolha
entre os sopros de um rio que se esvai.
Fiz a minha cama como quem olha
o raio de luz e sol, onde a lua sobressai.
Dei as mãos com o saber desconhecido
e escondido nos penedos rasgados plo mar.
Toquei, com a ponta dos dedos, o sentido
perdido, bafejado num alento, num cantar.
Com a natureza espraiei a minha visão
a uma tela de nuvens azuis no horizonte,
a um tecido tingido de alvoroço e emoção,
a um cântaro de barro com a água da pura fonte.
Copyright © Tytta |
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