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O que compreendes do silêncio?Calar!
Pensamentos soltos.
Adormecer os sentidos até cair.
Silenciar!
Rasgar gritos interiores.
Emudecer o que se possa sentir.
Afonia!
Cegueira de dicções.
Exoneração de lágrimas.
Mudez!
O que obedeces tu ao vazio?
O que compreendes do silêncio?
Vazio!
O que calas nessa futilidade?
O que sabes do que não proferes?
Copyright © Tytta Quantos são os que sabem o que é o amor?Abrem-se as janelas para trás. Deixa-se entrar uma lufada de ar fresco sobre a casa fechada. E de repente, tiram-se as trancas com que havíamos selado o coração por julgar que mais ninguém tinha o direito de lá voltar a entrar para o deixar desarrumado.
Depois olhamos para o lado e as coisas já não estão onde as deixámos, porque um novo caminho desviou os nossos passos do rumo que eles pretendiam seguir. Novos pensamentos movem-nos para longe dos ideais antigos e novas pessoas cruzam a nossa vida e ensinam-nos, novamente, a sentir aquele sentimento chamado amor.
O que é o amor? Quantos são aqueles que sabem o que é o amor? Sim, quantos são os que conseguem sentir algo arrebatador que chega às nossas vidas sem pedir licença para entrar e se instalar para ficar, sem se importar com a desordem que possa causar? Quantos conseguem definir o amor, se o amor não existe num só conceito?
Que provas precisam de ser dadas para provar a uma pessoa que a amamos?
- Basta dizermos “Amo-te!”?
- Teremos que lhe dar presentes, constantemente, para que o amor possa ser quantificado? Como diz a Alicia Keys “Some people need three dozen roses and that's the only way to prove you love them.”
- Ou será que simplesmente é suficiente a nossa presença na vida dessa pessoa, de modo a que possamos estar no seu pensamento sem que tenhamos que estar necessariamente ao seu lado para a sua pulsação aumentar?
Se eu simplesmente gritar baixinho que te amo, sem te dar qualquer explicação para tal (afinal o amor não se vê; sente-se nos gestos, nas mãos suadas, nos pensamentos perdidos ao longo do dia e nas insónias à espera de um novo momento juntos) será que sentirás a grandeza deste meu sentimento chamado amor?
Copyright © Tytta Ich vermisse dichNão costumo escrever aqui nada pessoal para além das poesias/ prosas, mas as perguntas dos amigos são muitas. Para os que vão perguntando, ficam aqui algumas dicas:
Jinhos para todos, Tytta Copyright © Tytta Parabéns/ CongratulationsParabéns a todas as mulheres... por este dia!
Congratulations to all women... for this day!
Copyright © Tytta Pela última vez, olho o marPela última vez olho o mar, derramo-me em silêncios que ondulam pelos meus pensamentos soltos. Tenho um nó na garganta que nem sobe nem desce, está aqui a empatar a minha respiração desajeitada. Não preciso de fazer grande esforço para te encontrar à deriva dentro de mim. Parece até que moras dentro do meu coração. Ainda assim, faço um esforço enorme para te deixar ir ao sabor das ondas. Que esforço esse, nem imaginas como dói faze-lo a esta altura da vida.
“Ama-me agora, deixa-me depois!” - Seria uma frase um tanto banal para te pedir. Não vou arriscar novamente a proferir essas coisas tão sem importância para ti. Sempre tiveste esse jeito frio, essa mania empinada de afastar um gesto qualquer que tentasse afagar-te por um instante. Portanto, olho pela última vez o mar e deixo-te ir. Acima de tudo deixo-me ir à deriva. Preciso de encontrar uma praia deserta onde possa descansar esta jangada de sentimentos magoados.
Copyright © Tytta No centro de mimNo centro desta alma desacordada
fecham-se as portas da minha janela.
Não digas absolutamente nada, nada...
a fome que tenho de ti é amarela.
De angústias tenho a vida pintada
e o frio não se importa em me levar.
Quando eu penso que já não tenho nada
ainda tenho muito e tudo para aclamar.
No centro daquela rubra parede caiada
está o meu coração um tanto rabiscado.
A minha alma mais do que desmaiada
está sentada num banco oco e cansado!
Copyright © Tytta Flocos de neveO vidro baço deixa transparecer o horizonte.
Procuro-me dentro dos pensamentos,
mas não consigo me encontrar... acho-te.
As ruas cobertas de neve fazem-me tremer
e tremo num riso estúpido que me estremece mais
do que o frio que me abraça por momentos.
Não há modo de saciar a fome dessa fonte,
desses desejos um tanto mais que sedentos
que avidamente me consomem... encontro-te.
Flocos de neve desajeitados fazem-me esquecer
que a vida são lições, são complexos sinais.
Tenho que aprender, não se vive de lamentos.
Talvez as geladas palavras se tenham esgotado
à medida que a brancura cai fria e se desfaz.
Por agora, tenho o coração exaustou e cansado.
Mas sinto a minha alma aquietada em paz.
Hoje acho-te... encontro-te...
resisto calmamente por entre a dor desta arte.
Hoje amo-te... e mato-te...
porque dói findar dentro do gelo que te parte.
Copyright © Tytta Saudades tuasTenho saudades do sorriso que rasga o teu rosto
quando chegas de mansinho como quem não quer nada.
Mais saudades tenho daquele olhar terno
com que derretes o meu coração.
Tenho saudades dos teus dedos suaves
quando entrelaças as tuas mãos nas minhas.
Tenho saudades do teu abraço quente
quando me deixo dormir a pensar em ti.
E sabes o porquê de tudo isto?
Porque eu amo-te!
Copyright © Tytta Momentos inexplicáveis... Amigos inesquecíveisEnquanto temos presente em nossas vidas a companhia de um amigo, por mais forte que ele seja ou por mais frágil que nos pareça, havemos de ter a noção que a perfeição não existe. São as pequenas circunstâncias, envoltas em cumplicidade, que tornam perfeitos cada momento que passamos ao seu lado. São os pequenos erros, que cometemos com ele, que servem para nos conhecermos melhor e nos aperfeiçoarmos para não voltarmos a praticá-los. E se a amizade é verdadeira, a palavra perdão não precisa de ser proferida. Existem momentos inexplicáveis em que as palavras se escutam dentro do coração.
Quando repentinamente chega a morte e nos arranca essa amizade das nossas vidas, ficamos com a estúpida sensação que o mundo desabou sobre nós. Ficamos com a certeza que poderíamos ter dado mais de nós em alguns momentos, mas obstinados preferimos ignorar para ficarmos com o nosso orgulho. Foi assim comigo. Foi assim que fiquei com a boca seca e o estômago em náuseas, quando se aproximou o momento de dizer adeus. Quando tudo ficou em silêncio dei-lhe uma flor, a última rosa branca que lhe poderia dar naquele triste momento... e com ela entreguei-lhe a minha vida, a minha amizade e o meu amor. Enterrei ao seu lado uma parte de mim que nunca ninguém voltará a ter. Afinal, existem amigos inesquecíveis.
Se suster a respiração, ainda consigo ouvir o som do seu sorriso a ressoar dentro das minhas memórias. Se fechar os olhos consigo ver os traços do seu rosto esguio e fino, mas nunca mais poderei vê-lo de olhos abertos. E nunca é um tempo muito longo, longo demais para suportar. Por isso, hoje sou apenas eu de mãos vazias erguidas para o céu à espera que a dor dessa ausência passe.
Copyright © Tytta PalavrasSinto falta das tuas poucas palavras.
Aquelas palavras a que me habituaste,
mesmo quando teimavas numa ausência
dias e dias completamente seguidos.
Se me sentar sobre as frases guardadas,
consigo ouvir as expressões que deixaste
cravadas nesta alma inflamada de demência.
Não consigo ocultar os sentimentos feridos.
Rasga-me as folhas pintadas em mil pedaços
e torna-as num monte claro de dissolvido pó.
Não precisas mais de voltar com os teus traços.
Quando eu for tocada pelo bafo da morte,
não quero que regresses com qualquer dó.
Pensa apenas que foi uma questão de sorte!
Copyright © Tytta Que se lixe essa tua tal amizadeSabes o que realmente fizeste comigo?
Tens noção de tudo o que passei a sofrer?
Sim, fizeste-me acreditar que contigo
eu tinha a amizade que idealizei ter.
Pois bem fiz as malas, encontrei um novo rumo
e deixei de ser o peão do teu fio de prumo.
Que se lixe tudo aquilo em que acreditei,
não passas de um pesadelo onde acordei.
Só porque eu “errei” uma única vez,
ao dizer palavras diferentes do que lês,
não significa ter traído a tua confiança.
O que p’ra mim é sabedoria, p’ra ti é ignorância.
Que se lixe a amizade que me deste,
eu sei que fui o melhor que, um dia, tiveste.
“Desculpa” – eu não vou voltar a pedir...
Se a amizade é verdadeira só tens que a sentir.
Quero que saibas que te matei, dentro de mim,
e que a culpa é só tua por eu estar assim.
Eu quero que te lixes com as tuas filosofias,
estou farta de aturar todas essas tuas manias.
Se um dia, ocasionalmente, quiseres falar disto
tem a pura certeza que, para ti, já não existo.
Quero mais que se lixe essa tua tal amizade!
Doeu afastares-te, mas hoje tenho liberdade.
Copyright © Tytta Sem palavrasNaquele dia saíste de ti,
abriste os braços na minha direcção
e fechaste-os com força contra as minhas costas.
Deixei-te ficar assim,
com o rosto colado ao meu,
sem quaisquer sinais de pressa para ir embora.
Caiu-te uma lágrima,
permiti-me a chorar contigo.
Ficámos ali, abraçadas, no silêncio.
Não cheguei a falar.
Nunca me disseste uma palavra.
Mas entendi-te melhor do que nunca.
À Telma, pelo silêncio que nos compreendeu!
Copyright © Tytta Projecto Clarice
Hoje é dia de cultura e arte, ao ajudar a divulgar o aliciante “Projecto Clarice”.
Para quem não conhece a autora Clarice Lispector, tem agora a oportunidade de ver, em suma, a sua vida... pelos olhos, pelas palavras, pela arte e perspectiva da autora do projecto – Patrícia Lino.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...Ou toca, ou não toca." Clarice Lispector (1920 – 1977).
Copyright © Tytta Lançamento "Antologia Luso-Poemas 2008"Caros amigos e leitores habituais,
venho aqui anunciar o lançamento da antologia onde participo, desta vez, com prosa. Dia 13 de Dezembro, em Lisboa, sob a chancela da Edium Editores será lançado o livro “Antologia Luso-Poemas 2008.
Esta obra é uma compilação de diversas poesias e prosas de vários autores:
Alemtagus - Betha M Costa - Carla Costeira - Carlos Carpinteiro - Carlos Said – Carolina – Cleo - Conceição B - Daniela Pereira – Expanta - Flávio Silver - Fly – Marta – Freudnãomorreu – Gilberto – Godi – Goretidias - Henrique Pedro - João Filipe Ferreira - João Videira Santos - José Torres - Júlio Saraiva - Karla Bardanza - Le Tab – Ledalge - Luís Ferreira – Margarete - Maria Sousa - Mel de Carvalho – Noite - Paulo Afonso Ramos - Pedra filosofal - Rosa Maria Anselmo - Sandra Fonseca – Tália – TrabisdeMenta – Tytta – Valdevinoxis - Vera Carvalho - Vera Silva
Aos interessados em assistir ao lançamento desta antologia, ficam aqui algumas informações:
- Dia: 13 de Dezembro de 2008
- Local: Campo Grande nº 56 em Lisboa - Hora: 15h – apresentação da antologia
- Como chegar: Autocarros – 36, 21, 45, 38 / Metro – Estação de Entrecampos
Apareçam e divirtam-se! Jinhos, Tytta
Copyright © Tytta Cais da esperançaFecho os olhos tão saudosos,
o sol de inverno aquece o rio.
Transporto os pensamentos morosos
ao sabor da distância que nos dividiu.
Bate-me no rosto o reflexo das ondas.
Tremo por saber que não vou mais falar
deste sentimento, que afinal de contas,
não é mais que a amizade que não sei explicar.
Ao longe, um barco cruza a calmaria
e o horizonte de um rio salgado.
Dei-te muito mais de mim do que podia.
Hoje resta-me um suspiro desfasado!
Não tenho nada! Não, não tenho.
Vivo nos escombros de um navio afundado.
É no sopro do vento do norte que venho
atracar-me ao cais da esperança naufragado.
Copyright © Tytta Até passar o tempoAo inicio foi um choque ouvir o baque das tuas palavras meio à deriva na minha direcção. Chorei, perguntei porquê e qual a razão. Apenas disseste-me que a confiança foi quebrada e até agora não entendo bem a razão, por muito boa que seja a tua explicação, por muitas voltas que dê às minhas ideias confusas, a minha opinião é diferente.
Entretanto o tempo vai passando e nada volta a ser como era. A dor forte e inicial começa agora a esvair-se pelas minhas veias, pulsando em direcções contraditórias entre aguentar a dor ou procurar uma saída. E é tudo uma questão de confiança para que isso realmente aconteça e eu faça surgir a saída que procuro. Por agora, estou num caminho vazio que preenche o espaço oco que deixaste em ferida aberta no meu peito.
Ajudaste-me, em muito, a superar a morte de uma amizade e a ver essas coisas de um modo diferente. Agora que a nossa amizade começa a dar sinal de fraqueza, sinto-me defraudada com a inexistência de um esforço ou uma tentativa tua para lutar por ela. Tu melhor do que ninguém sabes o quão importante é uma amizade para mim, o quanto me és importante. Se não me ajudares agora e não te permitires a ajudar-te com uma mudança de pensamento, não sei até que ponto esta situação não nos marcará ainda mais de um modo irrecuperável.
Os dias correm, lá vão passando a um ritmo alucinante... enquanto me confundem com sinais de luz que me ofuscam e adormecem ainda mais os sentidos. Até passar o tempo, vou ficar à espera de uma palavra. Quando o tempo se esgotar, não vou mais estar aqui à espera que cales o meu grito mudo.
Copyright © Tytta As palavras que dissesteEu preciso mais do que aquilo que me dás agora.
Sinto que chegou o fim, é inútil tentar lutar por nós.
Não sei mais quem sou nem para onde vou.
Sei somente quem fui e por onde estive
e não quero voltar ao passado,
mas tu teimas em traze-lo de volta.
As palavras que disseste significam tanto agora.
Oiço ao longe o silêncio da tua voz.
Procuro-te nos vestígios do que sobrou,
nos escombros da alma que sobrevive.
Preciso encontrar-me neste sentimento acabado,
só assim poderei acabar com esta revolta.
Não me faças mais promessas.
Nada pode melhorar ou ficar bem.
Existem tantas coisas que ficaram por falar
e que as palavras nunca conseguirão explicar.
Não me faças mais promessas.
Eu quero voar e ir mais além.
Não aguento mais continuar a mudar
os meus ideias só por te amar.
Copyright © Tytta Deixem-me chorarApaguem o sol.
Tapem as estrelas.
Escondam a lua.
Tenho a alma triste!
Deixem-me chorar!
Não tenho casa nem rua.
Não tenho rumo nem vento.
Não tenho pele nem osso.
Sequem os rios e o bravo mar,
arranjem espaço p’ras minhas lágrimas!
Não peço nada mais...
Deixem-me chorar.
É pouco o que existe
e nada o que me sobra!
É tanto o meu desgosto
que deixei de acreditar.
Deixem-me chorar...
Até ao meu findar!
Copyright © Tytta |
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